Gestão e Dinamização da Visitação no PNPG
 
Fundamentação
Nos últimos anos tem-se assistido a uma nova posição do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I.P., face aos objectivos de gestão das Áreas Protegidas, nomeadamente no que respeita às opções estratégicas para a promoção e dinamização da visitação nestas áreas classificadas de alto valor ecológico e ambiental e, por isso, possuidoras de um grande potencial turístico.
Em 1998 a publicação do Programa Nacional de Turismo de Natureza veio dar ênfase à vontade institucional de promover nas Áreas Protegidas o desenvolvimento do Turismo de Natureza, entendido como a actividade turística que é capaz de conciliar os objectivos de conservação e preservação dos valores naturais e culturais com os objectivos de promoção do desenvolvimento sustentável das populações residentes.
A visitação nas Áreas Protegidas é não só um facto inegável – o crescimento do número de visitantes nestas áreas classificadas é demonstrativo – como é, agora, mais assumidamente valorizada entre os objectivos de gestão definidos para as áreas protegidas e classificadas, consagrados na Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade.
A própria reestruturação que o antigo ICN sofreu, e a criação de um Departamento de gestão específico para a área da Comunicação/Visitação, veio reforçar a ideia de que a visitação e a comunicação com o público são aspectos fundamentais na melhoria da gestão das áreas classificadas e dos serviços nelas prestados.
Refere-se por último o “Programa de Visitação e Comunicação na RNAP”, um estudo encomendado pelo ICNB, I.P., onde são avançadas referências importantes para a melhoria das condições de visitação e aperfeiçoamento do modelo de atendimento e comunicação aos visitantes, reflectindo, naturalmente, os próprios objectivos do Instituto Público para a gestão e dinamização da visitação nas Áreas Protegidas. Neste estudo é reforçada a importância das Áreas Protegidas possuírem estruturas adequadas à recepção, informação e apoio ao visitante, mais concretamente “portas” que devem “assumir-se como local prioritário de visitação das AP, onde os turistas de devem dirigir quando chegam para procurar informação, obter apoio, solicitar serviços, adquirir produtos, e onde podem aprender, divertir-se, etc.” O programa refere que este tipo de infra-estruturas ou equipamentos são fundamentais para “incentivar e estimular a visitação, mas também para a organizar, controlar, educar, prestar um bom serviço de atendimento aos visitantes e gerar receitas”. Para tal o programa recomenda que as “portas” deverão “concentrar uma série de valências que respondam às necessidades dos visitantes, mas também às suas principais motivações, proporcionando bons momentos de lazer e conteúdo interessante que justifiquem, por si só, a visita à respectiva AP”.
Entre os principais objectivos associados à abordagem das “portas”, o programa de visitação e comunicação refere:
- materializar a oferta da AP numa estrutura específica para fins turísticos;
- criar motivos de atracão adicional e prestar um bom serviço ao visitante;
- prolongar o período médio de estadia nas AP, enriquecendo o tempo passado durante a visita;
- absorver a visitação massiva de segmentos menos interessados, reduzindo a pressão nas zonas mais sensíveis;
- controlar o acesso de visitantes e organizar actividades de visitação;
- promover a sensibilização e educação ambiental;
- potenciar o desenvolvimento de actividades comerciais lucrativas que ajudem a gerar receitas.
O conceito de Portas e a sua implementação no terreno foram pioneiros no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). A ideia desenvolvida pelo primeiro Director do Parque, Eng.º Lagrifa Mendes, viria a ser implementada muitos anos mais tarde, em 2004, com a construção e entrada em funcionamento da primeira Porta do PNPG, em Lamas de Mouro. Actualmente está também em funcionamento a Porta do PNPG em Campo do Gerês e o pólo da Porta do PNPG de Montalegre e encontra-se em fase de conclusão a Porta do PNPG no Mezio. Estão em construção as Portas de Lindoso e Paradela, prevendo-se a conclusão da obra ainda durante o presente ano.
As Portas do PNPG foram e estão a ser criadas com o objectivo de proporcionar a recepção, a informação, a retenção e a condução orientada dos visitantes ao Parque. Foram concebidas para serem os centros privilegiados na informação e enquadramento dos visitantes, na oferta de actividades e programas de visita específicos e também na educação e sensibilização ambiental do público em geral. A sua função principal é a de receber os visitantes para que estes possam obter a informação adequada antes de iniciarem a visita ao Parque. Complementarmente, e para os visitantes que não pretendem “explorar” o Parque mas apenas desfrutar de um ambiente natural aprazível e permanecer por algum tempo num espaço de lazer, as Portas proporcionam alguns espaços e estruturas de apoio, como sejam áreas de merenda e percursos pedestres envolventes, planeados com o objectivo de reter este tipo de visitantes e, assim, diminuir a pressão no interior do Parque. As Portas estão estrategicamente localizadas na periferia do Parque, nas suas principais entradas, e são estruturas importantes para o ordenamento e gestão do fluxo de visitantes (função de retenção e função de orientação ou condução da visita ao interior do Parque).
No entanto, e apesar das excelentes condições já proporcionadas pelas infra-estruturas e equipamentos existentes nas Portas do PNPG (recepção, exposições, oficinas temáticas, áreas de merenda, etc.), a experiência resultante dos mais de três anos de funcionamento da Porta de Lamas de Mouro e de cerca de um ano da Porta de Campo do Gerês, vem demonstrar que apenas parte das funções e objectivos propostos para as Portas estão conseguidos. A principal lacuna verifica-se ao nível da oferta de serviços de visitação, adequadamente organizados para proporcionar ao visitante a descoberta do Parque, de eventos atractivos que contribuam para a
captação de turísticas e aumento do período de estada (favorecendo os serviços locais de alojamento e restauração), entre outros programas necessários à crescente animação do espaço “porta” e dinamização da visitação no território de uma forma gera.
Neste entendimento, a abertura de concurso para operações integradas no domínio da “Gestão Activa de Espaços Protegidos e Classificados”, dentro do objectivo específico “Gestão Activa da Rede Natura e da Biodiversidade” do Eixo Prioritário III “Valorização e Qualificação Ambiental e Territorial” do Programa Operacional Regional do Norte 2007-2013, surgiu como uma oportunidade para o desenvolvimento de uma proposta de actuação que pretende fundamentalmente potenciar as Portas do PNPG como verdadeiras estruturas de dinamização e gestão da visitação no PNPG, dotando-as ou melhorando algumas das suas funções estratégicas. Com a apresentação desta candidatura pretendem-se reunir as condições necessárias para consolidar e dinamizar uma estratégia integrada de valorização e gestão da visitação no PNPG, que passa essencialmente pela instrumentalização das Portas do Parque como centros de oferta de serviços e equipamentos de apoio e organização de actividades para os visitantes. Os objectivos estratégicos e de operacionalização desta candidatura (objectivos fundamentais que a seguir se expõem) enquadram-se nos objectivos associados à abordagem das “portas” preconizados pelo “Programa de Visitação e Comunicação na RNAP” (referidos anteriormente), bem como nos objectivos específicos e nas tipologia de acções previstas para o Eixo III “Valorização e Qualificação Ambiental e Territorial” do Programa Operacional Regional do Norte 2007-2013: “Gestão activa da Rede Natura e da Biodiversidade”, com destaque para as iniciativas de apoio à visitação inseridas em planos integrados de valorização e gestão de espaços de sustentabilidade, englobando acções de oferta de animação e promoção do lazer, de valorização e promoção de serviços e produtos locais, de realização de estudos de estruturação de produtos turístico-ambientais e de promoção do património natural e cultural, de sensibilização e educação ambiental e de preservação da biodiversidade.
É ainda importante referir que os objectivos e acções propostas na presente candidatura enquadram-se na estratégia que está a ser preconizada para o território do PNPG e dos 5 concelhos abrangidos, no âmbito da Carta Europeia do Turismo Sustentável. A Carta (projecto em curso desde 2006, candidatado à Medida 1.4 do ON) define uma lógica de intervenção e de desenvolvimento estratégico para o turismo sustentável no território e pressupõe a integração, participação e entendimento das instituições, agências de desenvolvimento e agentes económicos locais, sendo por isso representativa de uma estratégia de acção comum. Esta estratégia é traduzida num Plano de Acção quinquenal, onde estão incluídas as acções propostas na presente candidatura.
Objectivos fundamentais




    • Adequar o modelo de gestão da visitação das regiões do PNPG ao modelo preconizado no Programa de Visitação e Comunicação na Rede Nacional de Áreas Protegidas;



    • Promover uma estratégia conjunta de gestão e dinamização da visitação nos cinco municípios abrangidos pelo PNPG, tirando proveito das iniciativas locais já implementadas e dos recursos e especificidades existentes em cada um, numa lógica de complementaridade;



    • Potenciar as Portas do PNPG enquanto estruturas fulcrais no modelo global da gestão da visitação nas regiões do PNPG;



    • Melhorar as condições de visitabilidade das regiões do PNPG, de forma integrada, ordenada e sustentável;



    • Aperfeiçoar o modelo actual de atendimento ao visitante;



    • Melhorar e inovar a oferta de serviços e programas de visitação, animação, educação e interpretação ambiental;



    • Adequar a oferta de actividades, serviços e equipamentos de visitação aos objectivos de gestão e salvaguarda do património natural e cultural, nomeadamente através do contributo para a valorização e preservação de sítios de interesse cultural e de locais ambientalmente fragilizados;



    • Melhorar os meios de comunicação, divulgação e marketing;


 
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